CIDADE INTELIGENTE, CIDADE SUSTENTÁVEL
Crítica à adjetivação da cidade
Autor: Alvaro Ferreira
Sobre o livro:
Partimos de uma hipótese: a utilização das expressões cidade inteligente e cidade sustentável funciona como estratégia de obscurecimento dos atores sociais envolvidos, de suas práticas, de seus objetivos e de seu processo histórico, exatamente através da adjetivação da palavra cidade. Esse desvelamento ajuda-nos a perceber uma terrível realidade e implica uma tensão entre o que existe e o que poderia existir. Ou seja, a cidade que temos não é a cidade que queremos. A adjetivação da cidade não é um fenômeno novo; termos como "cidade fronteira" e "cidade mercantil" já eram utilizados no século XVI. No entanto, o contexto contemporâneo do urbanismo, moldado pela revolução tecnológica e pelo avanço do neoliberalismo, confere a essa prática uma nova e distinta função. A visão hegemônica do urbanismo alinhou-se a uma lógica do espetáculo e do jogo especulativo financeirizado, em que a atração de investimentos e a competitividade global se sobrepõem às necessidades sociais e ambientais. A adjetivação da cidade, longe de ser um processo neutro de aprimoramento, constitui um esforço de branding. Essa estratégia, ao apropriar-se de características como a "inteligência" e a "sustentabilidade", opera como um mecanismo ideológico para desviar a atenção dos conflitos e das profundas desigualdades inerentes à produção do espaço urbano. Reificar a complexidade urbana sob o rótulo da eficiência tecnológica ou de um marketing verde-cosmético é uma tentativa de estabilizar o que é, por natureza, conflituoso e plural. Ao desconstruir esses discursos, buscamos resgatar a cidade enquanto espaço vivido e processo social aberto, irredutível a nomenclaturas que, sob a égide da neutralidade técnica, servem apenas para aprofundar a ideologia urbana dominante. Se o adjetivo é uma imposição que esteriliza o conflito, a cocriação surge como sua antítese vital. Ou seja, radicalizar a democracia significa, portanto, reconhecer que o direito à produção do espaço não significa um acesso a serviços prontos, mas o direito de transformar a nós mesmos ao transformarmos o lugar em que vivemos.
Sobre o Autor:
Possui graduação em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1996), mestrado em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999) e doutorado em Geografia (Geografia Humana) pela Universidade de São Paulo (2003). Realizou Pós-Doutoramento com o Prof. Horacio Capel na Universitat de Barcelona (2009). É Professor Adjunto do Departamento de Geografia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Professor Associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Foi Professor Visitante Sênior na Universidad Autónoma de Madrid (2020) e Investigador Visitante no ICS-Universidade de Lisboa (2020). É líder do grupo de pesquisa denominado Núcleo de Estudos e Pesquisa em Espaço e Metropolização (NEPEM).
CONSEQUÊNCIA Editorial
ASSUNTO: GEOGRAFIA, CIÊNCIAS SOCIAIS
IDIOMA: Português - FORMATO: Brochura - TAMANHO: 15,5 X 23,0 cm
EDIÇÃO: 1ª 2026 - PÁGs.: 276 - LOMBADA: 2,0 cm - PESO: 600 gr.
ISBN: 9786583435322